EDITORIAL DA EDIÇÃO DE ABRIL DE 2017

Enquanto publicação de natureza escolar, o Passo a Passo procura sempre dar voz às iniciativas dos nossos alunos, professores e assistentes operacionais, permitindo à comunidade acompanhar o processo de formação e crescimento da nova geração que, dentro de pouco tempo, tomará conta do nosso destino coletivo.

Não se trata apenas de aprender bem as matérias das diversas disciplinas, trata-se também da formação dos novos cidadãos que se pretendem munidos de valores e princípios de sã convivência, tolerância e respeito pelo Outro e pela Natureza. Reside aí a chave para uma sociedade saudável.

Por tudo isso gostaria de destacar aqui uma novidade da presente edição: uma entrevista de grande fôlego, naturalmente feita à distância e com recurso às novas tecnologias, por iniciativa da professora Teresa Maria Pedro e dos alunos da sua Direção de Turma, a turma 5ºA. A propósito da atribuição póstuma da Grã Cruz Da Ordem da Liberdade ao antigo Cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, decidiram a professora e a turma elaborar uma entrevista a enviar a um dos seus netos, o Dr. António de Sousa Mendes, que publicamos na íntegra. Numa época em que o drama dos refugiados está, mais uma vez, a marcar a história europeia, faz todo o sentido recordar o papel de Aristides de Sousa Mendes na sobrevivência de milhares de refugiados judeus que fugiam das perseguições nazis durante a 2ª Guerra Mundial.

Mostramos ainda o hastear da bandeira do Eco-escolas, que mais uma vez foi atribuída ao nosso agrupamento, distinguindo o trabalho realizado no âmbito da proteção ambiental. Foi um dos acontecimentos que assinalou o dia da Árvore, em conjunto com outras atividades que ilustram esta edição.

Para terminar, ainda uma palavra para a edição de 2017 da Semana da Leitura e Encontros com as Artes, que mais uma vez contou com a presença de vários escritores convidados. Os nossos alunos não perderam a oportunidade de colocar algumas questões aos ilustres visitantes, cujas respostas publicaremos na próxima edição do Passo a Passo uma vez que a interrupção da Páscoa não permitiu aos nossos alunos ultimar a sua redação final.

 

José Bento | professor coordenador do Clube de Jornalismo

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Informática e Programação

No dia 29 de março realizou-se a atividade ” Hour of Code” (Hora do Código) – iniciativa global de promoção do primeiro contacto com código de programação informática, destinada a crianças e jovens, na Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas de Góis. Dinamizada pelo Professor António Semedo, teve como destinatários os alunos do 5º ano (turmas A e B), acompanhados pelos professores Isabel Botequilha, Miguel Dias e José Santos. Os nossos alunos adoraram a experiência.

   

Semana da Leitura e Encontros com as Artes

A Biblioteca Escolar do Agrupamento, com a colaboração da Biblioteca Municipal e Município de Góis, promoveu a Semana da Leitura/ Encontros com as Artes 2017 e 21ª Feira do Livro de Góis, no âmbito do projeto nacional pela Rede de Bibliotecas Escolares, cuja temática incidiu no “O Prazer de Ler”, de 31 de março a 4 de abril.

Esta festa anual, repleta de leituras dos mais variados tipos com o objetivo de envolver crianças, jovens e adultos, agregou toda a população escolar do concelho, incluindo as IPSS’s e ARCIL.

Das atividades desenvolvidas, que se repartiram pela BE/CRE, Casa da Cultura e ruas da Vila, destacam-se algumas que contribuíram para o êxito destas comemorações:

Partilhas de Leituras nas aulas curriculares, biblioteca escolar e afixação de cartazes para leitura pública, alusivos à temática da prevenção dos maus tratos na infância e na juventude, elaborados por alunos do AEG;

Encontros com os escritores Isabel Ricardo, Alexandre Sarrazola e Manuela Ribeiro, na BE/CRE e FLG;

Momentos Musicais: Flash Mob pelos alunos do Agrupamento; Academia de Música de Góis; O Prazer da Tradição, pelo Grupo de Música e Cantares da Várzea; e Noite de Fados de Lisboa, com Joana Rangel;

Atribuição de certificados e prémios pelo desempenho dos alunos;

Feira do Livro com visitas de todas as turmas do Agrupamento de Escolas de Góis e outras instituições de ensino do concelho, com acompanhamento de docentes;

Cinanima Júnior – Extensão do Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho 2016;

Atividades com a “Mala de Imagem Animada” Cinanima;

Exposição de trabalhos dos Alunos, elaborados nas aulas de Educação Visual, Educação Tecnológica e Educação Pré-escolar;

Concurso “À conquista da História e Geografia de Portugal”;

Bibliopaper – jogo de descoberta da biblioteca escolar e suas leituras;

Entrevistas aos escritores convidados, pelos alunos, acompanhados pelo Coordenador do Jornal Escolar e colaboração de outros docentes;

Peça de Teatro Infantil “Reis ao Luar”, pelo Grupo de Teatro Catrapum Catrapeia;

Caminhada na Vila de Góis pela prevenção dos Maus Tratos na Infância e na Juventude, organizada pelo AEG-GAAF/PES e CPCJ de Góis.

Agradece-se a colaboração de todos aqueles que de forma direta ou indireta, contribuíram para a concretização das atividades desenvolvidas na semana da leitura, uma vez que, sem a colaboração e empenho de todos esta “festa” não teria sido possível.

Embora a importância da Leitura seja sobejamente conhecida de quase todos, nunca é demais relembrar que, sobretudo nas idades mais jovens, ela contribui grandemente para o desenvolvimento da criatividade, imaginação, transmissão de cultura, conhecimentos e valores. Iniciativas como estas contribuem em muito para que o mundo da escrita chegue aos nossos alunos de uma forma diversificada, abrangente e motivadora.

Pela entusiástica participação de todos, podemos concluir que a Semana da Leitura foi bastante positiva e enriquecedora!

José Santos | professor bibliotecário do AEG

 

Legendas:

Foto 0 – Sem legenda

Fotos 1 a 4 – Sessão de abertura

Fotos 5 e 6 – Encontro com a escritora Isabel Ricardo

Fotos 7 e 8 – Encontro com a escritora Manuela Ribeiro

 

 

   

Cinanima Júnior

No dia 28 de março realizou-se a atividade CINANIMA JÚNIOR – Programa Crianças, promovida pelo Agrupamento de Escolas de Góis no âmbito da Semana da Leitura e Encontros com as Artes 2017. Os destinatários foram as crianças da Educação Pré-escolar de Vila Nova do Ceira, de Góis e de Alvares.

Legendas:

Fotos 1 a 4 – Alunos de Góis e de Vila Nova do Ceira

Fotos 5 a 7 – Alunos de Alvares

   

   

Estendal Poético

Desafio aceite… e missão cumprida!

Os nossos alunos esmeraram-se na escrita criativa, tendo produzido dezenas de pequenos poemas que colocaram no estendal.

Vejam como ficou poeticamente colorido!

Parabéns às/aos autores/as e às docentes que os motivaram para a escrita.’

   

Oficina De Leitura E Escrita Criativa

E VIVA A POESIA E AS CRIANÇAS!

A fim de celebrar o Dia Mundial da Poesia e tendo por base o mote do poema de Eugénio de Andrade intitulado “Urgentemente”, os alunos das turmas do 5º ano, em trabalho de grupo, nas aulas de Oficina de leitura e Escrita Criativa, elaboraram alguns poemas mostrando O QUÃO URGENTE é necessário fazer …

Na SALA DE AULA

É URGENTE respeitar,

É URGENTE estudar.

 

É URGENTE o silenciar,

Quando a turma está a conversar.

E para perguntar,

pôr o dedo no ar.

 

É URGENTE se aplicar,

para nos testes

Bons resultados tirar.

 

É URGENTE os Professores respeitar,

para mal não ficar

É URGENTE os alunos incentivar

Para nas aulas não mandriar.

 

É URGENTE …. É URGENTE …. É URGENTE!

 

5ºA – Diogo, Rafael, Eva

 

 

No que respeita os PAIS / ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO

 

É URGENTE a Educação!

É URGENTE o Carinho!

 

É URGENTE acabar com a violência,

bulliyng e a crueldade.

Deixar os problemas de lado

e viver em felicidade!

 

É URGENTE os Pais,

carinhos aumentar,

seus filhos beijar

AMAR e EDUCAR!

 

É URGENTE … É URGENTE … É URGENTE!

 

5ºA – Joana, Mª Rita, David, André

 

 

No espaço ESCOLA

 

É URGENTE a APRENDIZAGEM!

É URGENTE dizer NÃO à violência!

 

É URGENTE A EDUCAÇÃO!

É URGENTE o silêncio dos corredores.

Não colocar lixo no chão,

Não sair da Escola

Sem  PERMISSÃO!

 

É URGENTE ESTUDAR,

RECICLAR, LIMPAR,

Não HUMILHAR

E BRINCAR, BRINCAR, BRINCAR!

 

5ºB – Francisco, Juliana, Sandro

5ºA – Daniela, Mafalda, Rogério, Tiago

Entrevista ao Neto de Aristides de Sousa Mendes Pela Atribuição Da Grã Cruz da Ordem da Liberdade Ao Seu Avô

No dia 3 de abril de 2017, no âmbito da Direção de Turma do 5ª A, a respetiva docente partilhou com a turma que nesse momento decorria um evento muito importante em Cabanas de Viriato. Sua Excelência, o Senhor Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, atribuía a Condecoração, a Título Póstumo, a Aristides de Sousa Mendes da Grã Cruz Da Ordem da Liberdade, frente à Casa do Passal, hoje considerada monumento nacional.

No seguimento desta informação, os alunos da turma ficaram muito curiosos e colocaram tantas perguntas que se converteram numa entrevista por escrito, que a Diretora de Turma encaminhou ao neto do antigo Cônsul, Dr. António De Moncada Sousa Mendes, à qual gentilmente respondeu.

As respostas estão transcritas exatamente como as fez chegar.

 

“Cara Dra. Teresa Pedro,

Segue a resposta à Entrevista sobre o meu avô, o Cônsul (Embaixador) Aristides de Sousa Mendes.

 

1 – Porque foi atribuída a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade a Aristides de Sousa Mendes?

R: Esta distinção foi atribuída neste momento a Aristides de Sousa Mendes porque o actual Presidente da República pediu aos seus colaboradores que averiguassem os Arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, para determinar com mais precisão quais foram os factos que fazem com que Aristides de Sousa Mendes seja tão admirado a nível nacional e internacional. O processo disciplinar confirmou que Aristides de Sousa Mendes agiu de modo JUSTO e que dos cerca de mais de 40.000 refugiados entrados em Portugal do verão de 1940, a grande maioria recebeu visto assinado por ele, em contravenção das ordens de Salazar. Com esta certeza, o Presidente da República julgou que mais uma alta distinção se impunha.

 

2- O que é a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e a quem pode ser atribuída?

R: A Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, ordem honorífica criada em 1976 (em Democracia) que vem distinguir «serviços relevantes prestados em favor da defesa dos valores civilizacionais, dignificando a Humanidade e os Direitos Humanos e a Causa da Liberdade». É atribuída a qualquer cidadão que tenha sido autor de acções dignas desse carácter.

 

3- Aristides de Sousa Mendes recebeu outras Homenagens em Portugal e no mundo? Quais, onde e por quem?

R: Aristides de Sousa Mendes tem recebido inúmeras homenagens, desde a sua carreira Consular e Diplomática começada em 1910, ainda no tempo do rei D. Manuel II. Em 1917 recebeu a ESTRELA BRILHANTE de Zanzibar, dada pelo Sultão de Zanzibar, (por elevados serviços prestados àquele país), mais tarde, a Medalha da Cruz Vermelha Portuguesa e duas Medalhas atribuídas pelo Rei da Bélgica (a de Comendador da Ordem de Leopoldo e o Grande Colar da Ordem do Rei Leopoldo – a mais alta condecoração belga), entre outras distinções. Foram igualmente dadas a Aristides de Sousa Mendes o Colar da Sociedade de Geografia e uma Medalha das Artes e Letras de França, tal como em 1998, recebeu uma Medalha Comemorativa de Homenagem do Parlamento Europeu.

Em 1966, devido ao seu gesto de salvação de refugiados em 1940, Israel atribuíu-lhe a categoria de «JUSTO ENTRE AS NAÇÔES» com a respectiva Medalha dos Justos. Depois do 25 de Abril de 1974, foi reintegrado na Carreira Diplomática na Assembleia da República, com a categoria de Embaixador (Ministro Plenipotenciário) em Abril de 1988. No ano anterior, em 1987, o então Presidente da República Portuguesa, Dr. Mário Soares condecorou-o com a Medalha de Oficial da Ordem da Liberdade, numa Sessão de Homenagem prestada em Washington DC (EUA) tal como em 1995, lhe atribuíu a Grã-Cruz da Ordem de Cristo na Primeira Homenagem Nacional no Tivoli, em Lisboa. Em 1998 O Parlamento Europeu, prestou-lhe uma Homenagem de nível Europeu (Herói Europeu) em Estrasburgo.

Nos Estados Unidos, os vários Congressos (dos 50 Estados) prestaram Homenagem a Aristides de Sousa Mendes, tal como no Canada. A muitíssimas Ruas, Praças, Jardins e Escolas, foram dados o seu nome quando inaugurados ou mais tarde, em Portugal, Israel, França, Áustria, Canada, EUA, etc. O Estado da Califórnia e o de Israel também lhe atribuíram a «Cidadania Honorária».

 

4- A família apoiou Aristides de Sousa Mendes?

R: Sim, sobretudo a minha avó, a esposa de Aristides, apoiou-o no momento em que ele precisava mais que foi no momento em que ele agia em Junho de 1940. A maioria dos seus filhos também, especialmente o meu pai, Geraldo, o sexto filho, que me transmitiu o seu entusiasmo pela causa. O irmão gémeo do meu avô, igualmente diplomata, apoiou-o também escrevendo cartas a Salazar e a outros políticos da época, e descobri numa carta que escreveu a Salazar, que na medida dos possíveis, ele também salvou vidas. Só os primos do ramo Abranches Pinto foram mais reservados, pois temiam perder os seus empregos e posições de prestígio. Nós apenas devemos compreender as posições e atitudes de uns e outros, contanto que saibamos atribuir-lhes o justo valor e nisso, Aristides de Sousa Mendes é “campeão”.

 

5- Há alguma instituição que represente e divulgue os feitos de Aristides de Sousa Mendes? Quais e onde?

R: Há duas fundações que representam a Memória de Aristides de Sousa Mendes e o seu gesto de salvação de refugiados de 1940:

– A primeira é a «Fundação Aristides de Sousa Mendes», criada em fevereiro de 2000 por Álvaro de Alpoim de Sousa Mendes (meu primo) e por mim próprio.

– A segunda é a «Sousa Mendes Foundation» criada em 2010 nos Estados Unidos, por descendentes de refugiados salvos por Aristides de Sousa Mendes.

O trabalho das duas fundações completa-se e complementa-se pela articulação de ambas.

A Organização Israelita «Yad Vashem» que é a “Alta Autoridade para a Defesa da Memória do Holocausto e dos Justos”, sita em Jerusalém, também representa e defende todos os «Justos entre as Nações».

 

6- Porque é tão importante a Casa do Passal em Cabanas de Viriato?

R: A Casa do Passal foi a casa de família de Aristides de Sousa Mendes, que ele herdou com a sua mulher, Angelina. Foi um local de grande importância, pois foi aí que organizou refeições para as pessoas da terra que tinham mais necessidades. No Verão de 1940, recebeu dezenas de refugiados, sobretudo religiosos e membros do governo belga no exílio e suas famílias. A Casa do Passal “encarna” o espírito de acolhimento e de solidariedade do Cônsul. Depois de completamente restaurada vai servir de Centro de Memória da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto. Será também O Museu da família e da sua vida e servirá como espaço comunitário para dar apoio aos cidadãos na sua vida de comunidade. Participará em programas nacionais e internacionais (de Cidadania e de Memória) e receberá visitas de Escolas para debater com os alunos, todos estes temas.

 

7- A Casa do Passal depois de reabilitada vai ter um papel importante para divulgar o acto de Aristides de Sousa Mendes?

R: Sim, a Casa do Passal vai ser o centro de todas as actividades de divulgação das acções sobre Aristides de Sousa Mendes. Visto que nela guardar-se-ão os arquivos dessa época e outros documentos, virão visitá-la certamente, muitos investigadores e estudantes de outros países. Haverá uma biblioteca com a tecnologia informática mais avançada, um anfiteatro e documentos audiovisuais sobre o assunto. Terá uma dimensão internacional e atrairá muitos estrangeiros a Portugal e à região.

 

8- O que mais pode ser feito para divulgar o que o seu avô fez?

R: Já se escreveram trabalhos de investigação, romances, ensaios, memórias, peças de teatro, poemas e um grande “musical” (em cena neste momento), poemas, etc., vários documentários (Portugal, Canadá, EUA, Espanha, Argentina, etc.) e filmes de longa metragem em Portugal (Com Vítor Norte) e em França. Tudo o que inspirar as pessoas a fazerem arte servirá para divulgar a obra de Aristides de Sousa Mendes. Nos Estados Unidos compôs-se um Oratório (música sacra) e em Portugal, o compositor Luís Cipriano compôs um excelente Requiem (inspirado por Mozart, Foret, Bach, Brahms) e outro português, Sérgio de Azevedo escreveu as notas para a «Missa Brevis».

Nas escolas os professores poderão lançar concursos de criatividade para desenho, ilustrações, poemas, teatro, etc. e dinamizar sessões de debate sobre os Direitos Humanos, por exemplo.

 

9- Sente orgulho em ser neto de Aristides de Sousa Mendes? Porquê?

R: Eu direi sobretudo, que quando comecei a compreender o gesto redentor do meu avô, percebi que tinha de agir e passar à acção o mais depressa possível para chegar junto dos jovens, para contribuir com os professores para a formação espiritual e cívica de uma nova geração que seja mais solidária, mais pacífica e altruísta. Vi que havia uma grande MISSÂO a cumprir e isso é muito mais importante do que qualquer sentimento de “orgulho” que nunca poderá ser “vaidade”. Quando simples cidadãos, como nós, se deparam com tal gesto de amor pelo próximo, deverão sobretudo sentir-se mais responsáveis, pois há uma atitude que deve ser perpetuada para Bem de todos nós. A RESPONSABILIDADE é o sentimento essencial que devemos ter.

 

10- Porquê passar tanto tempo a divulgar e a falar do seu avô?

R: Pelas razões da resposta anterior e porque o Ser Humano deverá sempre evoluir e melhorar, é esse o grande Propósito e Objectivo da Criação Divina.

O tempo necessário e o momento para falar do meu avô dependem muito da situação e das pessoas com quem estou. O essencial é não perder a ocasião (não a deixar fugir…). Há uns anos estava na baixa de Lisboa e encontrei por acaso um grupo de jovens americanos, reunidos á volta do Monumento ao Massacre de 1506 (monumento em frente à Igreja de São Domingos sobre o massacre de Lisboa aos judeus, onde cerca de 5.000 judeus terão sido assassinados… só por o serem. Richard Zimmler escreveu um romance sobre isso), que falavam em inglês. Depois senti a necessidade de conversar com eles sobre o meu avô, para dizer que se havia em Portugal um espírito “inquisitorial”, também houve Aristides de Sousa Mendes…aliás, eles já o conheciam por terem lido diversos artigos. Na viagem seguinte, (o segundo e o terceiro grupos), já quiseram visitar Cabanas de Viriato e eu encontrei-os lá!

 

11 – Sabemos que esteve na nossa Escola em Góis com um primo seu. Gostou? Porquê?

R: Sim, gostei, porque a Dra. Teresa Pedro tinha um grupo de estudantes que já estava muito sensibilizado para este tema. A conversa tornou-se muito fluente e já havia muitos estudantes com opiniões bem fundamentadas sobre o assunto.

 

12 – Qual é a importância da vida de Aristides de Sousa Mendes para os dias de hoje?

R: A vida nestes nossos dias é cada vez mais um mistério… e não sabemos nunca o que vai ser o dia de amanhã… Há muito ódio entre os povos, entre as religiões e muita intolerância… o que é que se vai passar?

A Humanidade precisa de exemplos de Coragem, Tolerância e Amor incondicional (Amor, porque somos todos parte da Criação Divina, somos todos irmãos e devemos ter consciência disso, para construirmos uma sociedade mundial que viva em paz e feliz). O que nos pode unir são os grandes exemplos de pessoas simples, como nós e que podem contribuir para fazer com que os outros acreditem que é possível viver em conjunto, em Paz e Amor. Tem de haver mais pessoas que estejam prontas para seguir o exemplo de Cristo e essas pessoas devem ser conhecidas! É uma questão de sobrevivência para a Humanidade. Estejamos atentos às notícias que nos chegam através dos jornais e da televisão.

 

13 – Porque é que o seu avô é tão pouco conhecido em Portugal?

R: O desconhecimento do meu avô em Portugal é devido a muitos factores. Por um lado, quando ele agiu em 1940 para salvar pessoas, ele fê-lo desobedecendo ao chefe máximo de um governo autoritário (ditatorial) onde o seu gesto foi visto não só como desobediência, mas também como provocação! Ele teve a ousadia de dizer publicamente: «não participo em chacinas, por isso desobedeço a Salazar».

Para ele colaborar num crime, tal como veio a ser e foi de facto o «holocausto», mesmo de longe era grave! Seguir as ordens de um homem (Salazar) que se calava perante a perseguição e aceitava travar ou criar barreiras para os fugitivos ou refugiados, era colaborar num crime. Talvez não tão grave como o dos carrascos directos… mas, ainda assim, grave! Se Salazar era neutro, devia-o ser para os dois lados e não “tentar agradar àquele que parecia e era de facto o mais agressivo”… mas Salazar tomou a atitude muito portuguesa de agir “como bom aluno”.

O meu avô desobedeceu portanto a Salazar que tinha decidido através de uma Ordem Especial, chamada «Circular 14», que proibia aos cônsules de passarem vistos a refugiados judeus, num momento em que os Nazis queriam capturar o maior número deles. Aristides de Sousa Mendes disse isso mesmo, e Aristides de Sousa Mendes escreveu-o no seu processo disciplinar (resultou num documento escrito, com valor jurídico e com VALOR DE DOCUMENTO HISTÓRICO). A voz do meu avô tornou-se assim, num grande incómodo e embaraço enorme para o regime político da época (ESTADO NOVO), porque denunciou ao mundo essa decisão.

Felizmente para Salazar, nessa época havia muito iletrismo ou analfabetismo em Portugal: 90% dos cidadãos não tinha hábitos de leitura de jornais e muito menos de “investigar”…. Não havia INTERNET… nem televisão… nem sequer se estimulava o sentido da Cidadania!!!

Encorajava-se o silêncio e “cada um por si”, etc. Era um mundo muito distante daquele em que vivemos hoje, 80 anos depois! Se os jovens de hoje pudessem visitar essa época nem iriam acreditar…

Que fez Salazar ao processo do meu avô, tão incómodo? Fechou-o em envelope lacrado não lhe dando obviamente publicidade nenhuma! Nesse tempo havia um regime de censura e era proibido falar ou escrever sobre certos temas. Segundo a lei (nessa altura e talvez ainda hoje) um envelope lacrado não podia ser aberto durante 50 anos… constituindo crime se o fosse! Ora em 1978, depois do 25 e Abril de 1974, houve um diplomata que abriu o envelope e deu-o a conhecer, ficando nós a saber que o meu avô, que foi condenado a uma pena ilegal, nem sequer foi notificado devidamente e legalmente do castigo que recebeu!!!

Claro que aqueles que ainda hoje seguem e apoiam a memória de Salazar dizem que esse diplomata (Embaixador Bessa Lopes) que abriu o envelope lacrado cometeu um CRIME, pois eles pretendem também esconder a atitude de Salazar.

A resposta completa a esta questão exige de facto muito tempo e investigação e está agora nas nossas e vossas mãos falar deste assunto, pois nós somos todos responsáveis do estado e nível civilizacional do país em que vivemos.”

(Dr. António De Moncada Sousa Mendes.)

 

Para mais informações, vide através do link da Banda D´Alma, que na Cerimónia prestou o seu “Tributo a Aristides de Sousa Mendes”, com palavras do Cônsul www.youtube.com/watch?v=tFgI09CklJs&sns=em

 

Para ouvir o discurso de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República Portuguesa Professor Marcelo Rebelo de Sousa, fotos, etc., consultai através do link da Presidência da República Portuguesa,

http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=125357

 

A Diretora de Turma do 5º A

Teresa Maria Pedro

  Foto de Luís Silva – Casa do Passal antes da Cerimónia

Foto de Luís Silva – Gérad Sousa Mendes (Sousa Mendes Foundation) e António de M.SousaMendes (ambos netos do Cônsul)

Foto de Rosarinho Noronha Castro – Grã Cruz da Ordem da Liberdade

Dia da Árvore

No dia 21 de março, o Projeto Eco-Escolas hasteou a Bandeira Verde 2016, na presença da comunidade educativa, assinalando o bom desempenho ambiental da Escola. Para completar a apresentação do projeto decorreu uma exposição dos trabalhos realizados pelos alunos do Clube com materiais recicláveis.

Tendo como objetivo assinalar o Dia da Árvore, os docentes e alunos do Agrupamento de Escolas de Góis, em parceria com o Município de Góis, promoveram diversas atividades, nomeadamente a plantação de sobreiros na Quinta dos Maias (Góis), a visita à Mata Nacional do Choupal (Coimbra),a colocação de ninhos/comedouros construídos pelos alunos e a identificação de algumas espécies autóctones do recinto escolar.

As ações desenvolvidas visaram sensibilizar a comunidade escolar para as questões relacionadas com a proteção do meio ambiente.

Lúcia Pinto

Coordenadora do Projeto Eco-Escolas

 

Legendas:

Fotos 1 e 2 – A bandeira Eco-Escolas

Fotos 3 e 4 – Exposição de trabalhos com materiais recicláveis

Foto 5 e 6 – Colocação de placas identificando as espécies do recinto escolar

Fotos 7 e 8 – Colocação de ninhos e comedouros

Fotos 9 e 10 – Plantação de sobreiros na Quinta dos Maias

Fotos 11 e 12 – Visita à mata do Choupal em Coimbra

   

  

         

Cartaz

Projeto Eco-Escolas e Clube de Artes

“Espantar com Arte”

Os alunos dos  2º e 3º ciclos do Agrupamento que frequentam o Clube de Artes e o Projeto Eco- Escolas, aderiram ao desafio lançado pelo Município de Góis e construíram um espantalho com diversos materiais reciclados, tendo como elementos principais roupas velhas, madeira, plástico, jornais, tampas e embalagens.

Com a colaboração de todos os alunos e docentes o espantalho foi construído com o objetivo de espantar as aves da horta pedagógica do Agrupamento ou quem sabe de um campo de cultivo, simulando a presença do ser humano.

No decorrer da construção os alunos constataram que a prática de criação ou construção de espantalhos está bastante ligada à agricultura numa vertente prática, mas também lúdica.

Vejam só o resultado final…

As docentes

Lúcia Pinto e Madalena Meco

 

Alunos do 9ºAno executam manobras de suporte básico de vida nas instalações dos Bombeiros de Góis

No âmbito da disciplina de Ciências Naturais, os alunos do 9º Ano participaram, no dia 31 de março, numa sessão dinamizada pelos Bombeiros de Góis com o objetivo de reforçarem os conhecimentos já adquiridos nas aulas sobre suporte básico de vida.

Os discentes treinaram procedimentos e atitudes que, quando desencadeados de forma adequada e eficaz, aumentam a possibilidade de sobrevivência de vítimas em paragem cardiorrespiratória.

A Escola agradece a disponibilidade dos técnicos na concretização da atividade.

Professora Lúcia Pinto